A perdida geração dos 140 caracteres

11 Mai

Trabalho há algum tempo com a chamada geração Y e tenho me preocupado muito com o que vejo. O que observo é que essa nova geração, entre 15 até 25 anos cresceu sem sofrimento...em contrapartida sem total resiliência, já que essa importante característica é desenvolvida a partir da má sorte e/ou mudanças não planejadas.

Calma! Eu não estou dizendo para provocarem dor em seus filhos! O que digo é que temos jovens que não sabem o significado do "não", "espere" ou "o que você fez para merecer isso". Eles não sabem o significado da meritocracia.

E uma das maiores consequências é que crescem adultos preguiçosos e sem motivação para se esforçarem até para sonhar mais. Não acrediam em si e se aquilo que almejam for difícil, eles preferem mudar de escolha a ter que suar para conseguir. Dia desses um garoto me disse que tirar nota 7,0 nas provas, para ele, seria "alta performance" nos estudos. Quando o questionei sobre o significado de alta performance, ele me respondeu de maneira simples e prática: "é o suficiente para não ficar de recuperação e passar de ano!"

Essa é a geração dos 140 caracteres. Aquela que recebe um texto de uma página e responde ironicamente que "vai esperar virar livro para ler", como se de fato fosse adepto à leitura. Uma geração de conversas rasas, que busca atalhar em tudo, até mesmo nas redes sociais. Nunca vi tanto na prática o ditado que diz: "Nada se cria! Tudo se copia!" É uma geração que posta suas selfies com legendas belas porém extraídas de sites de frases de efeito e sem os devidos créditos. Que copia bordões para ser o "descolado" ou o engraçadinho do grupo.

Quando faço orientação vocacional, me surpreendo com a maturidade de alguns e me choco com a infantilidade e até uma certa manha da maioria. Alguns por exemplo não sabem sequer o significado de assertividade. E não estou falando dos garotos de 15 anos. Até mesmo os de 25 confundem assertividade com acerto. Porém, mesmo quando explico que assertividade trata-se de saber se posicionar e defender seus pontos de vista eles dizem calmamente: "mas eu sou" seguido de um: "quero medicina porque meu pai disse que se eu escolher qualquer outro curso ele não paga". Paaaaaaaaaais SOCORROOOO!!! Não façam isso com seus filhos! Instrua-os a serem felizes em primeiro lugar!!! Ensine-os a serem tão felizes quanto quando crianças, para não termos no mercado mais profissionais frustrados e de mal com a vida.

Cientistas dizem que o cérebro de um adolecente é bem estranho. O córtex pré-frontal ainda não está totalmente desenvolvido porém tem mais neurônios que o de um adulto, por isso eles podem ser mais criativos, impulsivos e com altos e baixos. Em vez de serem estimulados a simplesmente crescerem saudáveis, seguros, sem bullying e amados por serem quem são, ouvem o tempo todo "vá para a escola", "vá para a faculdade", arrume um emprego", "case-se"..."depois você será feliz"...

Nosso modelo de ensino não ensina nossos jovens a serem felizes. Isso é tratado de forma separada. Mas e se não separássemos? E se nós baseássemos nossa educação em estudos e práticas sobre como serem felizes e saudáveis? Porque é isso que felicidade e saúde são: práticas simples. Educação é muito importante sim, entretanto, os pais associam a inteligência com sucesso, quando muito a inteligência seria sinônimo apenas de possibilidades. Se ela não for somada à felicidade e saúde, será que realmente veremos um adulto de sucesso?

Existem oito práticas que foram divulgadas por Dr. Roger Walsh, um cientista americano que estuda como ser feliz e saudável e que denomina esses passos de Terapia de Mudanças no Estilo de Vida (TLC em Inglês) e quero dividi-las com vcs:

* Exercícios

* Dieta e Nutrição

* Tempo com a Natureza

* Contribuição e Serviços Sociais

* Relacionamentos

* Recreação

* Relaxamento e Controle do Stress

* Envolvimento Religioso e Espiritual

Se pensarmos no quanto as escolas de hoje fazem desses oito passos da TLC uma prioridade, nossa resposta será decepcionante. Portanto, essa ainda é uma obrigação dos pais ou pessoas que influenciam essa geração tão perdida. Uma educação orientada para o que é melhor ou pior os levará à vivência e não para uma vida em si, no sentido de transformar a vida em vez de "viver a vida".

Sir Ken Robinson disse a mais popular frase de todos os tempos acerca das escolas: "If you're not prepared to be wrong, you'll never come up with anything original!" (Se você não está preparado para ser errado, você nunca vai chegar a nada de original!) Para não serem errados, essa geração prefere abrir mão do que sonham porque cansa...porque dá muito trabalho. Preferem ir pelo caminho mais fácil e que seja mais garantido, até porque se errarem (sem o devido preparo), os pais pagam de novo...e assim vão embora anos de vida e mais uma montanha de dinheiro.

Creio que temos uma obrigação grande com essa geração de contribuir para uma mudança de mentalidade URGENTE! Despertar nos nossos jovens a vontade de criar, inovar, se esforçar e lutar pelo que querem. Estimular para criarem estratégias e aumentarem suas performances em busca de um resultado melhor a cada dia.

Felicidade, saúde e criatividade deveriam ser prioridade na vida de qualquer ser humano. Entendam que isso nada tem a ver com facilidades, jeitinhos ou relaxamento (no sentido perjorativo da palavra). É preciso estimular essa geração a se motivar para aprender algo percebendo que eles conseguirão fazer muitas coisas em um curto espaço de tempo. Esses estímulos ajudariam a construir adultos que sabem tomar decisões assertivas e consistentes. Deveríamos instruir esses meninos e meninas a estudarem artes, história e todas as outras matérias, despertando neles o desejo pelo saber, ainda que essas informações não tenham apenas 140 caracteres. Levarmos ao menos uma vez por semana para se conectarem com a natureza. Ouvirem a floresta...se desconectarem da tecnologia para se reconectarem às pessoas mostrando que, mais importante que divulgar nas redes sociais onde, como e com quem estão é experienciar e viver intensamente o momento.

Eles deveriam perceber que, independente da profissão escolhida, as pessoas que trabalham felizes, saudáveis, criativas e empenhadas no que fazem vão sempre muito mais longe. Nossa educação deveria ser libertadora...deveria abrir o leque das possibilidades...deveria...mas não é! Então, façamos esse papel na vida dos nossos jovens, para que estes não cresçam sem profundidade, sem consistência ou assertividade como tantos que vemos por aqui e por aí! Verdadeiros bobos atrás de seus celulares 24 horas vivendo mais horas virtuais do que reais, conversando em 140 caracteres ou por vídeos de 10 ou 15 segundos (porque se tiverem 3 minutos já passam a ser cansativos) com conteúdo bobo, banal e nada autêntico.

Salvemos nossa geração Y, Z e todas as demais!!!

Juliana Rassi

Formada em Administração de Empresas pelo UNISEB e especialista em Desenvolvimento Humano de Gestores pela FGV, Juliana é coach certificada e membro do ICF, honrando, atuando e partilhando do código de ética regido por esta que é uma das mais respeitadas instituições regulamentadoras de Coaching no mundo, desde 2012 com certificações em personal, professional e executive coaching

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